Quem sou eu?
“Ninguém me viu. Todo mundo me pagou.”
por El Linhaça, sobre El Linhaça
Você quer saber quem eu sou. Todo mundo quer. A Cruzeiro Real quer, a GMA quer, e um mecânico de Yokohama passou uma madrugada inteira querendo, com uma chave de roda na mão.
Não vou dizer. Não por ética. Ética eu tenho, e cabe em duas frases, as do cabeçalho. Não digo porque ainda ninguém ofereceu o suficiente.
O que posso contar é o que todo mundo já sabe. Eu chego antes do escândalo e saio depois do flagrante. Não apareço em foto nenhuma, porque sou eu quem tira as fotos. Já fui confundido com um arbusto, com um fiscal e, uma vez, com um saco de milho. Das três vezes, deixei que acreditassem.
Não tenho redação. Tenho uma teleobjetiva, um binóculo, um café que esfriou em 2019 e um potinho de linhaça.
“Não sou Jiro Kagawa. Jiro Kagawa assina as matérias que eu não quis vender.”
Por que linhaça? Porque a linhaça entra inteira, atravessa tudo e sai do outro lado do mesmo jeito que entrou. Ninguém a digere. Ninguém a destrói. Ela só reaparece, sempre no lugar mais constrangedor possível.
Com o milho, dizem, acontece a mesma coisa. Por isso a Cruzeiro Real e eu nos entendemos tão mal: somos feitos do mesmo material, e só um de nós admite.
Se você tem um tambor, um documento ou um mecânico arrependido, não me procure. Deixe o envelope embaixo do tambor verde. Eu encontro você.
Tabela de serviços
Publicar o flagra1 saco de milho
Não publicar o flagra2 sacos de milho
Publicar o flagra do rivalnegociável
Desmentir o que eu mesmo publiquei3 sacos e um pedido de desculpas por escrito
Revelar uma fonteo dobro do que a fonte pagou
Falar a verdadeconsulte o cabeçalho
Aceitamos milho, dinheiro e tambores lacrados. Não aceitamos tambores abertos, por motivos que a edição nº 1 deixa claros.
