Novela · Capítulo 7 Margarida Classificação: livre para pessimistas

O FLAGRA

“Pagando bem, que mal tem?”
“Pagando bem, até falo a verdade.”— El Linhaça

Margarida · ¡Mi corazón a mil por hora! · Capítulo 7

Os divórcios dos outros

Ela, que entende do assunto, assistiu de camarote.

No capítulo anterior: uma sessão espírita para curar o trauma de Vancouver. Sete beberam, ela fingiu, e foi a única que não tirou os pés do chão. No fim, alguém bateu à porta. A emissora não abriu.

Num gabinete de madeira escura e luz vermelha, o patriarca de boina, óculos escuros e terno branco esmurra a mesa aos gritos, debruçado para a frente. Do outro lado, um piloto de barba curta e jaqueta preta e dourada congela de boca aberta, com uma Bíblia numa mão e o celular na outra. Comprovantes de transferência bancária voam como confete. No canto, numa poltrona, a moça de cabelo castanho assiste com um balde de pipoca no colo, quase feliz.

Pela primeira vez na história, a Mocinha compareceu a uma reunião por vontade própria. Tinham-lhe dito que haveria uma separação.

O patriarcaE tem mais: a partir de hoje, não pago mais dízimo pra tua igreja!

MargaridaPois. O André descobriu que a separação entre Igreja e Estado é particularmente desagradável quando o Estado é o DON e a Igreja depende das transferências bancárias dele.

Numa oficina de corrida em luz roxa, o piloto de barba curta, sentado num pneu, sorri com ternura para o celular e digita com os dois polegares, o rosto iluminado de rosa. Ao lado dele, a moça de cabelo castanho segura um roteador de Wi-Fi numa mão e o cabo arrancado na outra, olhando para a câmera sem piedade. Ao fundo, mecânicos esperam de ferramenta na mão.

Há casamentos que ninguém separa. O do pastor com o celular, por exemplo.

AndréUma esposa precisa de atenção, assim como meus fiéis precisam de orientação espiritual.

MargaridaSugiro desligarmos o Wi-Fi da oficina. Se o André precisar realmente de falar com a esposa, poderá fazê-lo pessoalmente.

Dentro de um carro de corrida, sob chuva forte e refletores dourados, o piloto de capacete preto e dourado, com a viseira levantada, segura o celular junto ao volante e digita sorrindo, sem olhar para a pista. Lá na frente, as luzes vermelhas de um carro rival se afastam na água.

Vancouver. Volta 1. O pastor perdeu a liderança. Tinha uma mensagem para terminar.

André, pelo rádioSó um instante, estou terminando uma mensagem de bom-dia para minha esposa.

MargaridaTranquilo. Ainda faltam trinta voltas. Há tempo suficiente para o André recuperar a liderança, renovar os votos e marcar a lua-de-mel.

Numa garagem em luz rosa e dourada, sob uma chuva de confete dourado, um jovem piloto inglês de cabelo castanho-claro bagunçado ergue o celular acima da cabeça como um troféu, de boca aberta de alegria, com um troféu dourado de verdade debaixo do braço. Ao lado, encostada numa pilha de pneus, a moça de cabelo castanho cruza os braços e revira os olhos até só aparecer o branco.

Enquanto um homem se casava com o telefone, outro descobria que tinha fã. Na internet, uma torcedora: “SIIIIIIIM! EU TE AMO, MAX PORTER!”

O inglêsFinally! Someone who appreciates greatness!

Margarida, na vésperaQue bonito. A rivalidade transformou-se numa disputa entre uma igreja e uma fã-clube. Falta apenas cobrar o dízimo aos seguidores do Max.

Num gabinete roxo e dourado, o patriarca de boina, óculos escuros e terno branco aponta o braço inteiro, aos gritos, para a moça de cabelo castanho, que está recostada numa poltrona de couro, de braços cruzados e com os pés em cima da mesa, olhando para a câmera sem surpresa nenhuma. Encostado na parede, um olheiro magro de terno barato segura um binóculo e uma pasta grossa, encolhido.

No gabinete, o Patriarca discutia quantos olheiros contratar. Até que se lembrou de quem já tinha descoberto.

O patriarcaJá descobrimos a Margarida! E agora tenho uma portuguesa que reclama até quando tá tudo certo!

MargaridaPois. Investir milhões para encontrar outros jovens com potencial parece-me sensato. Especialmente se o objectivo for descobrir alguém com a mesma disposição que eu para trabalhar neste hospício.

Quem vai ser o próximo a se separar?

A igreja do dinheiro? O pastor do celular?

Ou a Mocinha… do hospício?

¡No se lo pierdan!

Comentários (2.604)

Os comentários são das telespectadoras. A emissora não se responsabiliza pela opinião delas, mas concorda com quase todas.

  1. Rosângela M. · Campina Grande · ★★★★★

    Telespectadora verificada · assiste desde o capítulo 1

    A cena da pipoca. A MENINA FOI À REUNIÃO COM PIPOCA. Eu fiz igual no divórcio da minha irmã e até hoje a família não me convida pra nada. Valeu a pena.

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  2. Dona Neusa · Bauru · ★★★★★

    Telespectadora verificada

    Patriarca, o senhor gritou que já descobriu a moça. Descobriu e não valoriza! Ela é a única que fala a verdade naquela garagem e o senhor quer contratar olheiro para achar outra igual. Não existe outra igual, homem.

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    1. Kelly Cristina · Nova Iguaçu

      Neusa, ele gritou apontando o braço inteiro. De boina. Eu desmaiei no braço.

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  3. Edileuza Santos · Feira de Santana · ★★★★☆

    #TimeEsperança

    Gente, o pastor manda bom-dia pra esposa NA CORRIDA e o Esperança pagou cinco sacos só pra ficar de costas na chuva. Qual dos dois é o marido ideal? Nenhum. Mas o Esperança pelo menos não estava dirigindo.

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  4. Lucimar · Londrina · ★★★★★

    #TimeMax

    EU TAMBÉM TE AMO, MAX PORTER!!! A torcedora não está sozinha!!! Já tenho o documentário em VHS!!!

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  5. Seu Arlindo · Ourinhos · ★★★★☆

    Voltou a ter figura. Quatro estrelas. Tirei uma porque o rapaz mexe no celular dirigindo e isso é infração gravíssima, sete pontos na carteira.

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